By various authors from Portugal, including André Pereira. Published by Kuš

164 full-color pages, in A6 format, perfect bound. Written in english. Cover by Daniel Lima. Funded by the Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas from Portugal.

A part of kuš! Komiks‘s anthological series, the #20 issue is dedicated to the theme of Disquiet and focuses on portuguese authors. The authors were asked to draw a story that fit the book’s title theme, with a maximum of 12 pages, in colour or black and white. Which is the same as saying “do whatever you do best”. Marcos Farrajota says in his introductory text that writing about comics in Portugal is a meaningless act; because no one cares, and because the authors work in solitude and couldn’t care less about social networking. It’s probably from that obscure side that comes the glue that brings these works together: the unease.

In André’s case, the unease stems from the difficulty of leaving one’s bellybutton to try to get into the other’s; if attraction is always generated by an individual context that rules one’s aesthetic horizon, how can someone leave that shell to truly understand the one he/she desires? Is that what love is all about? The story is drawn with nervous sketches of colourful crayons; the non-linear story talks about two funny animals that chat in a bar about a relationship that ended recently. In the bar’s stage, a band plays some music that celebrates itself. The grid is hidden under the ethereal dialogue of the frames, where representations from the present interact with the perception of the past and vice-versa. You’ll never know exactly what happened, but you never really do, do you?


De vários autores portugueses, incluindo o André Pereira.

164 páginas a cores, em formato A6, com lombada. Capa de Daniel Lima. Escrito em inglês. Financiado pela Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, de Portugal.

Integrado na colecção antológica da kuš! Komiks, este número #20 é dedicado ao Desassossego e reúne exclusivamente autores portugueses. Entre eles, está o André. Pediu-se aos autores que fizessem uma história subordinada ao tema, com no máximo 12 páginas, a cores ou a preto e branco. Que é o mesmo que dizer “façam o que sabem fazer melhor”. O Marcos Farrajota diz no seu texto introdutório que escrever sobre a bd em Portugal é um acto sem sentido; porque ninguém quer saber, porque os autores trabalham na solidão e não vão às redes sociais. Talvez seja esse lado obscuro a única cola a unir estes trabalhos: a inquietação.

No caso do André, a inquietação é a da dificuldade em sair do próprio umbigo para tentar entrar no do outro; se a atracção pelo outro é sempre gerada por um contexto individual que regra o plano estético de cada um, quando é que conseguimos sair dessa casca para o começar a perceber verdadeiramente? É isso o amor? Lápis de cor nervosos ilustram uma narrativa não linear sobre funny animals que conversam num bar sobre uma relação que acabou. No palco, uma banda toca música que se celebra a si mesma. A grelha é ocultada pelo dialogar etéreo das vinhetas, onde representações de acções no presente afectam acontecimentos passados e vice-versa. Não é possível perceber bem o que aconteceu, mas nunca se percebe, pois não?